Certamente são poucas as pessoas que possuem conhecimento deste verdadeiro clássico do cinema e muito menos da importância e influência que ele teve no vampirismo moderno e principalmente na subcultura gótica da década de 80/90.
Fome de Viver ( The Hunger no original ) foi lançado em 1983, sendo baseado no notório livro do mesmo nome escrito por Withley Strieber. Sendo estrelado por Catherine Deneuve no papel da sedutora e misteriosa Miriam, o elenco conta ainda com Susan Saradon e o "camaleão" David Bowie (cuja participação ajudou o filme a se consagrar na cena alternativa).
Basicamente a história trata da chegada de um estranho casal á metrópole. Belos e misteriosos, eles saem á noite em baladas para seduzir jovens casais que possam lhes servir de alimento. Sim, eles são vampiros...pelo menos um deles.
Porém, John ( David Bowie ) começa a sofrer um estranho e excessivo envelhecimento precoce e, desesperado, ele procura ajuda na notável doutora Sarah (Susan Saradon) cujas pesquisas e manipulações genéticas em babuínos parecem revelar a possibilidade de acelerar ou retardar o metabolismo normal do ser humano ao ponto de controlar seu relógio biológico; acelerando-o ou atrasando-o.
Intrigada com o avançado envelhecimento e posteriormente sumiço de John, Sarah vai até a elegante residência de Miriam e logo fica fascinada com a enigmática mulher sem saber exatamente o porquê. Mas até onde Sarah deixará-se enfeitiçar pelo poder sedutor de Miriam e descobrir a aterradora verdade é o que conduz o filme. A química entre as duas atrizes gera um romance altamente erótico, juntamente com o drama existencial de Miriam acerca de sua imortalidade.
Diferenças com relação á obra original sempre existem. Em alguns momentos o filme até pode parecer confuso e certos aspectos da personagem vivida por Catherine DeNeuve permanecem um mistério. Claro que uma alusão á todo o poder e imortalidade da personagem sejam representados pela ilustre cena de seu sotão repleto de caixões, contendo cada qual, as memórias das pessoas que lhe foram importantes em suas vidas passadas ao longo dos séculos.
Apesar de ter um excelente roteiro (como na maioria dos filmes da época, deixam que você encontre as próprias respostas sobre a história) o que realmente consagrou a obra foi a influência que ele teve na formação da então emergente cena gótica. Além de popularizar o vampiro, Fome de Viver lançou o ankh - o símbolo egípcio que basicamente representa a vida eterna - como acessório e os óculos escuros com trajes negros para a noite.
Porém, o que realmente torna Fome de Viver popular na cena gótica até hoje é sem dúvida a presença da banda Bauhaus - a pioneira do rock gótico - logo na primeira cena do filme. Em um ambiente lúgrube atrás de uma cerca de alambrado, emerge da fumaça branca a figura espectral do vocalista Peter Murpy a cantar o hit "Bela Lugosi is Dead" enquanto pessoas dançam em um típico pub gótico e os vampiros espreitam. Essa cena, ao mesmo tempo que popularizou a banda foi também uma das principais razões de seu fim (afinal, nós escutamos a banda Bauhaus, mas vemos apenas Peter Murphy).
Fome de Viver foi um clássico do cinema vampírico, com uma atmosfera inexistente hoje em dia. E, ao ter o popular David Bowie e o Bauahus, bem como uma trama complexa com margem para diversas interpretações (e por que não, conclusões) é extremamente original.
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